STF

Diploma de jornalista deve ser rediscutido, defendem Dino e Moraes no STF

Por Redação

Declarações dos ministros vêm à tona em meio à repercussão do inquérito que resultou na quebra do sigilo de fonte do jornalista Luís Pablo, determinada por Alexandre de Moraes

(Imagem: Roussinei Coutinho STF)

Em sessão da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (18), os ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes voltaram a defender a reabertura do debate sobre a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo. Dino sustentou que o sigilo da fonte não pode servir de respaldo para “desinformar”, enquanto Moraes afirmou que a liberdade de imprensa não pode se converter em proteção para o “cometimento de crimes”.

Essa discussão surgiu no julgamento de uma ação sobre direito de resposta que envolve o Grupo Globo. Na ocasião, os ministros retomaram a decisão do STF de 2009, que declarou inconstitucional a Lei de Imprensa herdada do regime militar e afastou a exigência do diploma para o exercício da profissão.

Ao tratar do tema, Dino declarou: “Chamo a atenção, finalmente, ministro Alexandre, que tudo isto se tornou ainda mais difícil, porque há uma decisão suprema, a qual respeito, obviamente, e quem sabe um dia será debatida novamente, quanto à dispensa do diploma de jornalista para o exercício da profissão. Então, isto constitui um complicador na medida em que há extensão automática deste regime de garantias a qualquer blogueiro.”

A quebra de sigilo que motivou o debate

Esse debate ganhou força depois que Moraes determinou a quebra do sigilo da fonte do jornalista Luís Pablo. O comunicador, responsável por um site no Maranhão, é investigado por suposta perseguição a Dino, após divulgar imagens do ministro e de familiares em veículos oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA).

Para rastrear a origem do material, Moraes autorizou o acesso ao celular de Luís Pablo, na tentativa de chegar ao ex-secretário estadual Raimundo Cutrim. De acordo com a Polícia Federal, Cutrim teria repassado as informações sob acordo de confidencialidade e estaria por trás da perseguição a Dino. Ele cumpre atualmente prisão domiciliar preventiva, em razão de suspeitas ligadas ao chamado “caso Tech Office”.

Essa medida despertou preocupação em entidades de imprensa no Brasil e no exterior. O ponto central da controvérsia é a possível afronta à garantia constitucional do sigilo da fonte, prevista no artigo 5º da Constituição Federal.

Limites entre liberdade de imprensa e direito de resposta

No caso julgado nesta terça (18), que tratava do direito de resposta de uma mulher mencionada em reportagem da TV Globo, Dino reafirmou que a liberdade de imprensa deve conviver com o “direito de resposta”. Segundo o ministro, não é aceitável manter no ar conteúdos com informações incorretas sem a devida réplica.

Dino também observou que a inexistência de exigência de diploma ou de um órgão privado de autorregulação da categoria dificulta o trabalho do Judiciário, que passa a decidir casos complexos, envolvendo sigilo e direito de resposta, sem um marco regulatório específico para a profissão.

Moraes acompanhou o raciocínio de Dino e destacou a importância de que veículos de comunicação mantenham cuidado redobrado com erros que possam prejudicar terceiros.

Ao final, o julgamento foi suspenso após pedido de vista da ministra Cármen Lúcia, que alegou necessidade de mais tempo para analisar o processo.