Prova digital

Ministro do STJ cita caso Vorcaro ao estranhar falha do Cellebrite em desbloquear celular usado como prova

Por Redação

Durante julgamento na Quinta Turma, Messod Azulay Neto questionou por que a ferramenta de perícia não conseguiu quebrar a senha de aparelho que estava sob custódia do Estado e foi entregue sem lacre

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O ministro Messod Azulay Neto, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), demonstrou estranheza com o fato de o Cellebrite, sistema usado em perícias digitais para extrair dados de celulares, não ter conseguido desbloquear um aparelho apresentado como prova em um processo criminal. A manifestação ocorreu nesta terça-feira (13), durante julgamento na Quinta Turma, e incluiu uma referência ao caso do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

O ministro apresentou voto-vista, aquele proferido depois que um integrante do colegiado pede mais tempo para analisar o processo. O caso discute a validade de uma prova digital.

Celular sem lacre e bloqueado

Segundo o relato do ministro, o aparelho havia ficado sob custódia do Estado, mas foi apresentado para uma nova perícia sem o lacre de segurança e bloqueado por senha, o que impediu uma nova extração dos dados.

O lacre é um dos elementos da chamada cadeia de custódia, conjunto de procedimentos que registra todo o caminho percorrido por uma prova, desde a apreensão até a análise, para garantir que ela não foi alterada. Falhas nessa cadeia podem levar à discussão sobre a validade da prova.

Referência ao caso Vorcaro

Ao comentar a dificuldade técnica, Messod comparou a situação com a apreensão dos celulares de Vorcaro.

“O que também é um pouco estranho, porque eu não acredito, por exemplo, que o Daniel Vorcaro entregou os celulares dele voluntariamente com as senhas, mas, mesmo assim, o Cellebrite furou tudo e expôs tudo. (…) Hoje o sistema Cellebrite fura tudo, mas essa senha não conseguiu ser quebrada”, afirmou.