Gilmar Mendes ameaça Kassio Nunes Marques por WhatsApp; veja as mensagens
Decano do STF cobrou que o ministro “abra as contas” e deixe o TSE durante julgamento na Segunda Turma; troca de mensagens ocorreu quando Gilmar estava na Itália e expõe crise interna na Corte.

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou uma série de mensagens duras ao ministro Kassio Nunes Marques por WhatsApp, que acabou decidindo bloqueá-lo na plataforma. A troca de mensagens ocorreu em 8 de setembro, no mesmo dia em que a Segunda Turma do STF julgou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Gilmar estava na Itália e enviou as mensagens após as 18h no horário de Brasília, mais de 23h na Itália. As mensagens foram divulgadas inicialmente pelo site Poder 360.

Nos prints divulgados, Gilmar Mendes cobra de forma direta o afastamento do colega e a abertura de seus dados financeiros. “Assumam q estao ferrados e saiam dos processos. Abram as contas”, escreveu o decano, acrescentando em seguida: “Vc tem de sair do tse também”. Em outro trecho, afirmou: “Nao julguem porra. Não respeito a quem nao se daH respeito. Vc tem de sair do tse também”.
Nunes Marques reagiu pedindo respeito: “Me respeite Gilmar. Isso não é postura”, escreveu. Diante da insistência, respondeu: “Então não me tecle pois não falo com quem não me respeita”. Gilmar voltou a cobrar: “Abra as suas contas antes de julgar qualquer coisa desse caso na turma”. Nunes Marques afirmou que não teria problema em fazê-lo: “Abro com o maior prazer. Há 15 anos que presto contas de tudo. Como juiz. Tramoias…”.
Na sequência, Gilmar estendeu a cobrança aos familiares do ministro: “Verdade! De sua família…”. A referência ocorre após a divulgação de mensagens atribuídas ao celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que mencionam um suposto repasse mensal de R$ 500 mil ao advogado Kevin Marques, filho de Nunes Marques. Nunes Marques negou categoricamente que o filho tenha prestado serviços ou recebido qualquer quantia do banco.
Acusação de articulação
Gilmar Mendes também apontou uma suposta manobra combinada entre André Mendonça, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques durante o julgamento que determinou o afastamento de Andrei Rodrigues. Segundo a cronologia apresentada pelo decano, ele pediu vista do processo às 10h01, Fux apresentou seu voto às 10h04 e Nunes Marques, às 10h06, intervalo de poucos minutos que, para Gilmar, indicaria combinação prévia.
O decano acusa ainda Mendonça de atuar com seletividade nas investigações, omitindo ou desacelerando elementos que atingiriam colegas da Corte e seus parentes para garantir sustentação política e votos favoráveis na Segunda Turma.
Bloqueio e desdobramentos
Após a troca de mensagens, Nunes Marques bloqueou Gilmar Mendes no WhatsApp. A última mensagem de Gilmar nem sequer foi lida pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Gilmar segue bloqueado no celular do colega, conforme pessoas próximas ao ministro afirmaram à coluna de Andreza Matais, do Metrópoles.
Nesta terça-feira (15), durante a sessão plenária que analisa a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, Nunes Marques declarou-se impedido e não participou da votação. Ele afirmou que nunca julgou processos do Banco Master e que nunca trocou mensagens com Vorcaro. O plenário também foi marcado por outros confrontos, incluindo bate-bocas entre Gilmar Mendes e André Mendonça, e entre Flávio Dino e Luiz Fux.
A crise institucional no STF, provocada pelos desdobramentos das investigações sobre o Banco Master, extrapolou as sessões do plenário e chegou ao WhatsApp, expondo a profundidade das divergências entre os ministros.
