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Homem é condenado a mais de 54 anos de prisão por matar mulher com tesoura e enterrar o corpo no quintal em Itapuranga

Por Redação

Júri reconheceu feminicídio, ocultação de cadáver e fraude processual. Segundo a denúncia, crime foi motivado por discussão sobre um aparelho auditivo e uma dívida de R$ 300

Foto: reprodução

O Tribunal do Júri de Itapuranga, no centro de Goiás, condenou César dos Santos a 54 anos e 8 meses de reclusão, mais 6 meses de detenção e multa, pelo feminicídio de Maria Ferreira dos Santos, de 57 anos. Ele também foi condenado por ocultação de cadáver e fraude processual. A pena deve ser cumprida inicialmente em regime fechado, e ele não poderá recorrer em liberdade.

O julgamento ocorreu na terça-feira (20), no plenário da Câmara de Vereadores da cidade. A sentença também fixou em R$ 50 mil o valor mínimo de indenização à família da vítima, que deixou filhos e netos. Ainda cabe recurso.

O crime

Segundo a denúncia do Ministério Público de Goiás (MPGO), o crime aconteceu na noite de 4 de setembro de 2025, depois de uma discussão sobre o sumiço do aparelho auditivo do acusado e uma dívida de R$ 300. César seguiu a vítima até o quarto, tomou uma tesoura das mãos dela e a golpeou no pescoço.

Depois, dobrou o corpo e o colocou dentro de uma mala, que ficou na sala da casa durante toda a noite. Em seguida, enterrou a vítima em uma cova no quintal, coberta com terra e folhas, e limpou as manchas de sangue para dificultar o trabalho da perícia. Foi essa limpeza que levou à condenação por fraude processual.

Na manhã seguinte, de acordo com a denúncia, ele voltou ao trabalho como pintor sem demonstrar nenhuma mudança de comportamento. Também impediu que a própria mãe entrasse na casa para lavar as roupas dele, como ela costumava fazer. César foi preso em flagrante em 5 de setembro de 2025 e está preso desde então.

Júri acolheu todas as teses da acusação

Os jurados acolheram integralmente as teses do MPGO. Eles reconheceram que o crime foi cometido por razões da condição do sexo feminino, em contexto de violência doméstica e familiar, e com uso de recurso que dificultou a defesa da vítima.

Na sentença, a juíza Lisandra Pires Caetano afirmou que a conduta do acusado revela frieza e dissimulação para afastar suspeitas. Segundo ela, César agiu sob efeito de drogas, consumidas voluntariamente.

Por que a pena é tão alta

Só pelo feminicídio, a pena chegou a 53 anos e 8 meses. Pesaram contra o réu a culpabilidade, a personalidade, as circunstâncias e as consequências do crime. Ele também é reincidente, porque já tinha uma condenação definitiva por lesão corporal gravíssima.

A juíza reconheceu ainda a agravante do motivo fútil, pela desproporção entre a razão da discussão e a morte da vítima. Ela determinou o início imediato do cumprimento da pena.

A denúncia foi oferecida pela promotora de Justiça Michelle Mendes Ferreira. No júri, a acusação foi feita pelo promotor Igor de Macedo Félix, da 1ª Promotoria de Justiça de Itapuranga.