Advocacia

Não protegeremos ninguém”: Simonetti defende independência da OAB e diz que Ordem não acusará sem provas

Por Redação

Presidente da OAB Nacional afirmou que entidade não pode tomar decisões orientada por redes sociais ou “clamor de cada hora” e disse que instituição não será capturada por interesses eleitorais

Créditos: Raul Spinassé/OAB

O presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti, afirmou nesta segunda-feira (14) que a entidade não protegerá envolvidos em eventuais irregularidades, mas também não fará acusações sem provas diante da crise que atinge o Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi feita durante sessão do Conselho Pleno da OAB Nacional, em Brasília.

Ao se dirigir aos conselheiros federais, Simonetti defendeu serenidade e independência na condução da Ordem e afirmou que decisões institucionais não podem ser tomadas a partir da repercussão momentânea dos acontecimentos.

“Em tempos de crise, é muito fácil seguir o ruído. Difícil é preservar o rumo”, afirmou.

Na sequência, o presidente ressaltou que a OAB não pode orientar suas decisões por “recortes de redes sociais, por manchetes isoladas ou pelo clamor de cada hora”.

“Não protegeremos ninguém”

Um dos momentos mais enfáticos do discurso ocorreu quando Simonetti definiu como a entidade pretende se posicionar diante das acusações e questionamentos que envolvem as instituições do sistema de Justiça.

“Não nos omitiremos. Não protegeremos ninguém, absolutamente ninguém. Não acusaremos ninguém sem provas”, declarou.

Simonetti pediu confiança aos integrantes do Conselho para que a condução da entidade ocorra com “serenidade, coragem e responsabilidade histórica”, sem impedir divergências ou questionamentos dentro da própria OAB.

“Confiança não para que deixem de questionar. Pelo contrário. Confiança não para que deixem de divergir, também não é isso que queremos, mas confiança para que possamos conduzir juntos este momento”, disse.

Interesses eleitorais

O presidente também afirmou que a OAB não permitirá que sua atuação seja influenciada por interesses eleitorais.

Segundo Simonetti, a Ordem deve ouvir as manifestações vindas das ruas sem abrir mão da Constituição e da preservação das instituições.

“Não nos deixaremos capturar por interesses eleitorais e não permitiremos que a indignação legítima da sociedade seja convertida em instrumento de destruição das próprias instituições que precisamos aperfeiçoar”, afirmou.

Para o presidente, momentos anteriores de crise institucional no país exigiram da OAB coragem, responsabilidade e independência, características que, segundo ele, também devem orientar a entidade no cenário atual.

A manifestação ocorre em meio às discussões dentro da advocacia sobre a postura institucional da OAB diante dos recentes acontecimentos envolvendo o Supremo Tribunal Federal e os desdobramentos relacionados ao caso Banco Master.